sábado, 5 de novembro de 2011

o seu nome

Julieta. Era o seu nome. O verde que envolvia a sua pupila era real. O cabelo claro que acompanhava o seu corpo era único. A forma como mexia os lábios enquanto falava era somente suave. Os dedos longos mas seus eram delicados. O seu pé direito era diferente, mais gordo. Sonhava com o mundo. Queria ultrapassar barreiras. Procurava o eterno amor. Não temia a tempestade. Desejava a estrela mais cadente do céu. Repetia estados de bom humor. Fazia juras de amor para ninguém. Contornava a maior colina existente. Chorava pelo filme mais estranho. Ria-se das coisas mais tristes. Sabia quando não queria ficar melancólica. Ouvia a música mais sombria para dormir. Estranhava a simpatia mais genuína. Retorcia-se quando imaginava o futuro. Enrolava a língua quando pronunciava certas palavras. Escondia-se do escuro incerto da noite. Buscava a luz mais verdadeira. Não tinha a certeza absoluta de tudo o que queria. Mas sabia aquilo que a fazia feliz. Conhecia as coisas que a punham triste. Fugia do que a fazia sofrer. Protestava contra aquilo que sabia ser maléfico. Tinha a sua vida. Tinha as suas coisas. Tinha as pessoas que queria e não queria. 0 foram as vezes que mentiu. Chamava-se simplesmente Julieta. E este era o seu nome.

N.Vieira

1 comentário:

  1. Beautifully simple :) das coisas mais puras saem as mais bonitas, adorei!

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