Mordeu o lábio. Acendeu um cigarro. Deu o bafo mais longo dos últimos tempos. Fazia-no quando negava se passar algo. Fazia-no como acto de frustração para com ele. Não queria olhar para si. Custava cada vez que imaginava a distância. Sempre se fez de forte, dizia que aguentava tudo. Mas, naquele momento, o seu muro de Berlim quebrava. Mostrava a sua vulnerabilidade. Culpava-se por isso. Nunca foi "o" peso, e não era agora que o iria ser. Cinco breves minutos de si. Chegaram ao fim. Ergueu o muro, apanhou os pedaços e voltou a po-lo no lugar. Deu o último bafo no cigarro, igualmente longo ao primeiro. Voltou-se para ele e sorriu. "O quê? Não se passa nada. Estou bem, como sempre...".
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