Lábios vermelhos. Unhas encarnadas. Vestido justo. Saltos altos. Mala pequena. Era assim que pensava em si quando se comparava com uma "menina de rua". Fazia-no por breves cinco minutos. Era esse o tempo que se conseguia imaginar na pele dessa personagem. Não o conseguia imaginar por mais tempo. Não por medo, ou por desrespeito. Mas sim porque sabia que não o era. Pensava antes em si como algo simples, normal, mas com o seu quê de especial. Nem ela própria sabia que coisa especial era essa. Acreditava que o tinha porque afinal de contas toda a gente o tem. Todos têm o seu quê de especial que os torna únicos. Alguns têm-no mais visível, outros mais escondido. Há quem goste de o ostentar, e há que tenha medo de o fazer. Até mesmo a "menina de rua" o tem, basta tirar o vestido, o bâton os saltos e procurar, não na pequena mala, mas naquela grande que reina dentro de si.
N.Vieira
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