Tenho medo da morte. Não penso no verdadeiro sentido desta palavra e, talvez por isso mesmo, nunca tivesse chegado à conclusão de que sim, tenho medo da morte. A ideia do medo do desconhecido é algo que nos transmite uma sensação de terror. A morte é isso mesmo, o desconhecido. Mas, para mim, é um desconhecido demasiado obscuro. O meu medo é maior quando penso em tudo aquilo e todos aqueles que deixamos para trás quando partimos (odeio a palavra partir, é demasiado impessoal, fria). A verdade é que todos os dias falamos de pessoas que morreram ou recebemos a notícia de alguém de quem gostamos muito que morreu. Apesar disso, pelo menos no meu caso, quando oiço este tipo de coisas acho que não penso no real valor desta palavra: Morrer. E se agora o meu pai morresse? E se eu morresse? Como seria para aqueles que cá ficam? O que aconteceria à minha alma (se é que a tenho)? Não passam de perguntas às quais eu não consigo obter uma resposta concreta. E, eu sei que é bastante estúpido ter medo do desconhecido, pois esse desconhecido tanto pode revelar-se algo bom ou mau. Mas, nem por isso deixo de ter medo da morte. Não tenho propriamente medo do acto em sim, mas de tudo e todos aqueles que ele implica. Quando acordo nunca penso que este pode ser o meu, o vosso ou o último dia deles. A verdade é que pode ser. Como ser humano que sou, escolho sempre o caminho mais fácil, o caminho de acordar todas as manhãs e fugir a sete pés da frase ''este pode ser o meu último dia''. Pensar na morte não é, nunca é o caminho mais fácil. Por isso mesmo eu, e talvez muitas outras pessoas, evito pensar na morte. Não porque ela implica uma data de coisas, mas sim porque tenho medo, tenho medo dela.
N.Vieira
(Nota: Eu li as Intermitências da Morte de José Saramago. Amei o livro e vi um outro lado da morte, mas mesmo assim não deixei de ter medo dela)
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