"Não sejas injusto", disse ela, enquanto mexia no cabelo comprido e encaracolado. Injustiças ou não. Palavras mal entendidas. Frases mal construídas. Sentimentos trocados. Gritos que saem inesperadamente. Mãos que agarram o que não deve ser agarrado. "Porque é que interpretas tudo mal?", gritou ele, perturbado com a situação e preso a um sentimento que já não era dele. Uma interpretação mal feita. Um sim que é entendido como um não. O dizer que não equivale ao fazer. Olhos que transmitem o contrário. Um andar curvo que devia ser direito. "Injustiça ou não, má interpretação ou não, sinceramente não quero saber", diz ela, voltando naturalmente as costas.
N.Vieira
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