segunda-feira, 7 de maio de 2012

cinco dedos

Um dedo. Dois dedos. Três dedos. Quatro dedos. Cinco dedos fechados, apertados. Representavam uma frustração. Falavam de um alguém. Agarravam outros cinco dedos, não meus. Enrolavam-se na ânsia de sentir o que não se devia. Cruzavam-se com a mistura sentimental momentânea. Gritavam por um apreço. Beijavam-se uns aos outros. Cravavam-se em si mesmos. Pisavam a mão que não lhes pertenciam. No fim soltaram-se, libertaram-se. Não voltaram à estaca zero, escolheram a estaca superior, aquela que lhes abria outro mundo. Até agora continuam lá.

N.Vieira

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