quarta-feira, 23 de maio de 2012

por breves duas horas

Deu dois toques na porta. Antigamente era assim que fazia para se dar a conhecer. O duplo toque antecipava a sua chegada. Entrou, tirou os sapatos e sentou-se. Olhou para si, de uma forma mais crua do que nunca. Não a assustou. Estava farta de saber que os seus ataques de fúria eram constantes, que o seu (hu)amor era difícil. Sentou-se a seu lado. Abraçou-o no silêncio mais sincero das suas palavras. Não esperava nada em troca, como sempre. Posou a mão em cima de si. Estava ali o acto de reconhecimento. Não precisava de mais nada. Prolongou aquele momento por breves duas horas. Se fechar os olhos, ainda hoje está lá. De mãos pousadas uma em cima da outra. Por breves duas horas.

N.Vieira

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