E se? Eis a questão que permanentemente invade o dia-a-dia de um ser humano desconcertante e insatisfeito como eu. Questões e possibilidades que nos levam a perder meses, dias, horas, minutos e segundos da nossa vida. Uma busca constante de uma resposta a uma questão que, a meu ver, parece impossivel de obter. A inevitabilidade de pensarmos ''E se não tivesse comido o que comi?'', ''E se José Sócrates não tivesse sido eleito Primeiro-ministo??'', ''E se eu não lhe tivesse dito o que sentia?'', ''E se eu não fosse tal e qual como sou?''.. Não passam de ''se'' e mais ''se'' que, em vez de me transmitirem algum controlo, só me fazem mergulhar num mundo do imaginário que, provavelmente, nunca vou conseguir atingir.
Apesar de tudo, é raro o dia da nossa vida em que não nos questionamos com aquilo que poderiamos ter dito ou feito. Nós, os seres humanos, nunca estamos realmente satisfeitos. Temos sempre a necessidade de pensar naquilo que poderia ter acontecido, ou não, se algo não tivesse acontecido. É esta insatisfação que muitas vezes leva a uma vida de incertezas e inquietações que não nos deixam viver plenamente.
Sim, eu sei que é impossivel não sermos invadidos pelo mundo do ''se'' e mais ''se'', mas há uma necessidade de conseguir seguir com a nossa vida independentemente das probabilidades existentes. Aquilo que acontece é porque tem de acontecer. Aquilo que dizemos tem de ser dito. Aquilo que fazemos tem de ser feito. E, não vale a pena ficarmos submersos nesse mundo de possibilidades que, afinal de contas, não nos levam a lado nenhum. Mas como disse uma vez o outro, é bom sonhar, é bom questionar.. por isso, não o deixem de fazer, porque eu, com certeza, não o vou fazer.
Ao ler este texto, fui-me identificando com muitas das frases por ti escritas. Mas depois deparei-me com esta:
ResponderEliminar"É esta insatisfação que muitas vezes leva a uma vida de incertezas e inquietações que não nos deixam viver plenamente."
Em que medida achas que os "ses" nos coíbem de viver a vida na sua plenitude?
Primeiro que tudo, gostaria de agradecer o comentário.
ResponderEliminarA meu ver, acho que muitas vezes temos a tendência em ficarmos presos às possibilidades, que não passam disso mesmo (possibilidades), e por isso mesmo não prestamos atenção àquilo que temos à nossa frente, a tudo aquilo que a vida nos tem para oferecer. Aquilo que queria dizer era que frequentemente somos invadidos por questões do género ''e eu se fosse assim?'', ''se eu tivesse dito aquilo?'' e ''se eu tivesse feito o inverso daquilo que fiz?''; e essas são questões que, por vezes, nos prendem demasiado tempo a possibilidades e não à realidade. Mas, tal como disse, a vida é feita disso mesmo: possibilidades, incertezas, certezas e coisas reais. Acho que não temos de abdicar de nenhuma delas, mas temos de conseguir viver com aquilo que fizemos/dissemos e com aquilo que não fizemos/dissemos.
Espero ter respondido à tua questão :)
N.Vieira
Concordo contigo quando dizes que "essas são questões que nos prendem demasiado tempo a possibilidades e não à realidade."
ResponderEliminarMas não achas que isso acontece, precisamente, porque nós temos tendência (e citando-te)a complicar o descomplicado?
Porque é que encaramos os "ses" quase como que um "arrependimento" (do género: "se tivesse estudado mais cedo, talvez tivesse tido melhor nota!"), e não os encaramos como uma janela aberta quando a porta se fecha?
Por exemplo (e pegando no outro que disse em cima):
Se tivesse estudado mais cedo, talvez tivesse tido melhor nota.
Então, já reparei que o estudar em cima da hora não foi proveitoso e o tal "se", que nos atormenta e nos faz arrepender do passado, revela-nos um novo caminho.
Talvez se o seguir e estudar mais cedo, a nota melhore...
Não podemos é ser conformistas e encarar tudo de uma forma negativa. Muitas vezes a vida dificulta-nos tudo, mas se assim não fosse o que estaríamos cá a fazer?
"Pedras no meu caminho? Guardo-as todas e um dia vou construir um castelo!" (Fernando Pessoa).
O "se" traz-nos arrependimentos e traz-nos novos caminhos. Resta-nos a nós escolher como os queremos utilizar. :)
Continua a escrever, gosto daquilo que dizes ! :D
Sim, tens toda a razão. Acho que quando escrevi o texto não tinha pensado nesse outro ponto de vista do ''se''. A verdade é que, tal como disseste, os tantos ''ses'' que nos fazem mergulhar num mundo de possibilidades também nos poderiam, e podem, levar a uma mudança de atitude. Acho que me ''abriste'' os olhos para um outro lado do ''se''. Tal como disseste, e muito bem, ''O "se" traz-nos arrependimentos e traz-nos novos caminhos. Resta-nos a nós escolher como os queremos utilizar''.
ResponderEliminarObrigada pelos comentários.
E sim, vou continuar a escrever. Espero que continues a gostar :)
N.Vieira
Não tens nada de agradecer!
ResponderEliminarSe continuares com a qualidade que tens demonstrado, não tenho outro remédio senão gostar :)
Força
Mais uma vez, obrigada :)
ResponderEliminarFarei por isso!
N.Vieira
Confesso que esta discussão me mostrou uma perspectiva totalmente diferente dos "ses". Geralmente, tal como a N. referiu, tento não perder muito tempo com as várias possibilidades que poderia ter seguido na minha vida, porque acho que já perdi algum tempo, preocupada com decisões do passado, adiantando-me muito pouco.
ResponderEliminarDevemos sim ter a consciência das decisões que tomámos e dos motivos que nos levaram a ter tais atitudes e com isto fazer uma coisa tão básica como APRENDER. Aprender com os nossos erros, com os nossos sucessos e ter sempre a humildade de aceitar que somos só pessoas, não controalmos o mundo e muito menos as outras pessoas.
Assim, podemos atribuir aos "ses" a tal perspectiva positiva de outras formas de estar e caminhos a trilhar durante a nossa vida!
Tens toda a razão, Tanya. Visto que somos simples seres humanos, os erros e arrependimentos são frequentes. Mas, tal como referiste, temos de ''aprender com os nossos erros''. O mundo dos ''ses'' pode ser muito complexo e por vezes manter-nos demasiado tempo presos a possibilidades, mas também esse mundo nos pode ensinar a não cometer os mesmos erros e a começar a ver as coisas de outra forma.
ResponderEliminarN.Vieira
Tanya, concordo com tudo o que disseste, excepto com o facto de nos apontares como "só pessoas". Nós não somos "só pessoas", somos sim PESSOAS, AS PESSOAS.
ResponderEliminarO facto de, constantemente, nos rebaixarmos perante a vida e de nos considerarmos menos do que aquilo que somos , faz com que vejamos o mundo por baixo e não da forma como ele deve ser visto.
Não controlamos o mundo , mas podemos mudá-lo. Actos simples do nosso dia-a-dia mudam o mundo mesmo que não nos apercebamos. Se não mudar o nosso, pelo menos muda o de alguém.
Desafio-te a, um dia que estejas num local público, oiças uma conversa de alguém. Seja um arrufo de namorados, seja uma discussão política, seja uma história contada pelo avô ao neto.
Depois gostaria que dissesses aqui se alguma coisa que ouviste mudou, ou não uma ínfima parte no TEU mundo.
Tudo isto para te dizer que, na minha forma de ver, tens de te pôr "por cima do mundo" e não por baixo. Somos mais que "só pessoas"... Somos pessoas e fazemos todos parte, de igual forma, do mundo em que vivemos.
No entanto, compreendo e respeito a tua forma de pensar e espero que compreendam que o aqui estou a fazer é discutir ideias e não tentar impor o meu ponto de vista.
Queria também dizer que não são apenas os "ses" que têm duas faces, uma positiva e uma negativa. A própria vida as tem. No entanto, não a podemos viver atirando a moeda ao ar e vendo que face nos saiu. É importante sabermos utilizar a moeda da melhor maneira e termos em conta que o que hoje é cara, amanhã pode ser coroa !
Espero não ter sido muito cansativo :D
Cumprimentos às duas.
Muito brevemente, acho que tens razão naquilo que dizes, tal como já o referi antes. Queria apenas sublinhar que compreendo perfeitamente que isto não passa de uma discussão de ideias. Mas, através destas discussões de ideias temos a capacidade de crescer como pessoas e de nos depararmos com outras visões do mundo.
ResponderEliminarNão foste cansativo, disseste o que achavas e isso SIM é o importante. Ah, e concordo com os dois lados da vida, que nos possibilitam diversas formas de lidar e aprender com essa vida e tudo aquilo que lhe está associado.
Sempre um prazer.
N.Vieira
"Sê a mudança que queres ver no mundo" (Gandhi)
ResponderEliminarAnónimo, talvez não me tenha explicado muito bem. Não considero que me ponha "por debaixo" do mundo e tenho precisamente a mesma opinião que tu quando dizes: "Não controlamos o mundo , mas podemos mudá-lo."
No entanto é preciso ter humildade para saber que o que é bom para mim, poderá não o ser para os outros. Já perdi muito tempo de vida, desiludida porque não conseguia mudar o mundo, as outras pessoas e então, mudei de perspectiva e pensei, talvez deva ser eu a mudar e tornar-me mais flexível, aceitar que há coisas que simplesmente não controlamos. Não perco tempo a pensar "mas porque é que isto me aconteceu", mas sim "como é que vou ultrapassar isto" e na verdade, sinto-me mais livre.
Não discordo contigo e gosto da tua forma optimista de espôr o assunto.
Agora sou eu que estou a ser demasiado longa (desculpa)
cumprimentos
Sim Tanya é exactamente esse o pensamento ("como é que vou ultrapassar isto") que também tento ter, mas nem sempre é fácil. É-nos mais cómodo não fazer nada para seguir em frente e esperar apenas que o tempo "leve" o assunto do que efectivamente ultrapassá-lo.
ResponderEliminarAfinal de contas, "As dificuldades foram feitas para nos encorajar e não o contrário. O espírito humano cresce mais forte com os conflitos." :)