segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

blush injusto

Lambia os lábios. Passava o batom. Apertava as bochechas como blush natural. Estava pronta para sair de casa. Só esperava que o telemóvel tocasse com a permissão para o fazer. Esperou uma hora, duas horas. Para além dos minutos passarem, as horas também passavam. Sabia perfeitamente a razão do atraso. Queria compreender. Fazia de tudo para não ser injusta. Ouvia as razões. Inventava ela as suas próprias desculpas para continuar zangada. Sabia que já estava na hora de deixar aquilo passar. Mas queria que aquilo fosse lembrado nos próximos tempos. Por isso, deixava-se zangada. Queria sentir-se assim no seu próprio aborrecimento. Estava a ser injusta, é verdade. Mas quem não o é no amor? 

N.Vieira

Sem comentários:

Enviar um comentário

descomplicados