quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

sempre

"Quando disseste que virias comigo para onde fosse decidi mesmo que quero ficar contigo para sempre", foram estas as palavras que ficaram no seu ouvido. Foi para casa. Fechou-se no quarto. Deitou-se na cama. Começou a imaginar o seu futuro. Nunca o tinha feito, ou pelo menos, nunca o tinha feito com aquela intensidade. Talvez por ter medo de se desiludir ou por recear a verdade do seu destino. Imaginou-os aos dois. A passear por aquela cidade tão europeia. Os dois esboçavam o maior sorriso alguma vez visto. Na mão tinha o seu primeiro artigo ali publicado. Curiosamente, ou não, era sobre o trabalho dele. Viviam na mais bela casa do pedaço. Juntos ouviam música. Recordavam os primeiros tempos. Mas agora previam o futuro. O futuro a três, quatro ou cinco. A verdade é que o futuro a três já vinha a caminho, eram só mais cinco meses. E ficou ali deitada por várias horas. Imaginou tudo e nada. Permitiu-se acabar com o seu final feliz. Afinal no amor as coisas não têm de correr sempre mal. "E este sim é baseado na verdade", sussurrou-lhe ao ouvido.

N.Vieira

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