Abriu o livro. Folheou as primeiras páginas. Relembrou aquilo que já tinha vindo e ido. Lia cada palavra como se lembrasse exactamente o que sentiu naquele momento. Sentia o mesmo aperto no coração que sentiu quando aconteceu. Brilhou de alegria quando percebeu que na altura também o fez. Caíram-lhe as pequenas partículas de água pelo rosto quando (re)viu o passado. Agora enfrentava novas folhas. Uma imensidão branca. Um livro por escrever. Palavras por dizer. Algo por sentir. Mas o medo era o mesmo. O mesmo que se apoderou de si no dia em que o abriu pela primeira vez. Apesar das mudanças continuava o mesmo. Conhecia melhor o seu interior. Sabia como agir consigo mesmo. Faltava a coragem. Aquela que arranjava depois de muito esforço. Aquela que só dependia de si. Pegou na caneta. "Cá estou eu de novo".
N.Vieira
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